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A quase-ópera brasileira
sexta-feira, 3 de outubro de 2014 Posted by Silvano Silva ✔


Musical adaptado da obra de Fernando Vilela, ' Lampião e Lancelote' estreia neste sábado (04) no Recife; apresentações acontecem no Teatro Santa Isabel.
Foto:Divulgação Foto: Divulgação
Dirigida pela paulista Débora Dubois, a montagem representa o mergulho no universo nordestino de uma das principais diretoras de musicais da atualidade
O bando de Lampião ganhou reforço. Da Paraíba, Braulio Tavares saiu em disparada e emprestou sua prosa à música de Zeca Baleiro, que veio do Maranhão para participar de uma nova tomada do Nordeste a partir da terra natal de Virgulino, Pernambuco.
Estreia amanhã no Recife (PE) o espetáculo Lampião e Lancelote, musical adaptado da obra de Fernando Vilela que narra a peleja entre o rei do cangaço e o lendário cavaleiro da Távola Redonda.
As apresentações são este sábado, às 21h, e este domingo, às 20h, no tradicional Teatro Santa Isabel. Os ingressos custam R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia).
Dirigida pela paulista Débora Dubois, a montagem representa o mergulho no universo nordestino de uma das principais diretoras de musicais da atualidade. Em turnê com Lampião e Lancelote, Dubois figura nos créditos de Rita Lee Mora ao Lado, a afamada biografia teatral da roqueira, que está em cartaz em São Paulo com Mel Lisboa no elenco.
"Na verdade, o trabalho de direção dos dois espetáculos não são assim tão diferentes", diz a diretora, em entrevista por telefone. "Um trata do universo nordestino e de uma determinada realidade histórica, enquanto o outro também trata de uma realidade histórica, na medida em que é sobre uma personalidade da música pop que fez parte de um movimento de mudança do cenário musical brasileiro, sendo a nossa primeira mulher no rock."
É a segunda vez que Dubois trabalha com Zeca Baleiro, que está na direção musical de uma trilha executada ao vivo e preparada a partir de referência que evocam as épocas dos dois personagens do título. A primeira vez da dupla foi com Quem Tem Medo de Curupira? (2010), cujo texto o cantor e compositor escreveu à máquina, quando ainda tinha 19 anos na São Luís (MA) onde começou sua carreira.
"Estamos no meio do caminho de uma terceira colaboração que é uma adaptação dos contos de Nelson Rodrigues", avisa a diretora, que afirma que escolheu o elenco mediante um critério que tinha em vista a forma como Zeca Baleiro canta as suas músicas. "Só foram escolhidos atores que cantam. Não são atores conhecidos de musicais porque eu queria tirar aquela impostação de voz que vêm dos musicais clássicos. Os atores cantam como se o Zeca tivesse entrando no palco para cantar."
Se a pesquisa musical se pautou nos ambientes sonoros do cangaço e do período medieval, a dramaturgia baseou-se na transposição que o escritor e colunista do JORNAL DA PARAÍBA Braulio Tavares fez do livro homônimo de Fernando Vilela para as páginas teatrais. "70% do espetáculo é o que o Braulio tirou do livro e adaptou para a linguagem teatral", conta Dubois. "Lampião escrevia orações e pedimos para o Braulio escrever alguma coisa que o cangaceiro pudesse falar antes de matar um traidor."
O papel de Lampião é interpretado pelo ator baiano Fábio Lago (conhecido de filmes como Tropa de Elite e Xingu). Ele aceitou o desafio de interpretar um Lampião que rendeu vários prêmio a Daniel Infantini, na temporada de estreia. O personagem Lancelote, que já foi de Leonardo Miggiorin, ficou a cargo do ator paulista Marcos Damigo. Maria Bonita é a atriz Luciana Carnieli.
Além deles, dois músicos no palco, que fazem parte do bando de Lampião. "Não chamo esta peça nem de musical", revela a diretor. "É uma poesia em pé, quase uma ópera brasileira."

Com Tiago Germano/JPB

Silvano Silva ✔

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