
Apesar de aproximadamente 18% da população paraibana passar fome, de acordo com dados do presidente do Conselho de Segurança Alimentar (Consea-PB), Marçal José Cavalcanti, o desperdício de alimentos ainda é um problema latente na Paraíba. Segundo ele, o índice de perda de alimentos não só no Estado como no Brasil ainda oscila entre 37% e 38%, devido à “miséria tecnológica” no processo de produção e distribuição dos alimentos. Há 20 anos, o índice de perda de hortifrutigranjeiros, no Brasil, era cerca de 45%, mas esse quadro pouco mudou. “Não avançamos em absolutamente nada, não houve investimentos nesse segmento, principalmente na área de feiras livres e terminais atacadistas”, disse Marçal.
Esse e outros dados estão sendo discutidos durante a Semana Paraibana da Alimentação, que faz parte da programação do Governo do Estado, na Semana Mundial da Alimentação.
O evento teve sua abertura oficial, na manhã de ontem, no auditório da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa), no Cristo, em João Pessoa, e segue até a próxima sexta-feira, com a participação de diversas autoridades especialistas no assunto, inclusive do secretário executivo do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca, José Inácio de Morais, e do superintendente da Conab-PB, Ângelo Amaro Veras.
Para Marçal Cavalcanti, os altos indicadores de exclusão social na questão alimentar se deve à falta de políticas públicas direcionadas para os produtores de hortifrutigranjeiros, de investimentos nas atividades de mercados atacadistas e incentivo aos empresários, que precisam de qualificação e melhora nos equipamentos e infra-estrutura. Segundo ele, reduzindo as perdas, reduziria os custos para a população, pois o custo do desperdício vai para o bolso do consumidor. “Cada laranja que você consome, você está pagando três, porque duas foram perdidas no transporte da fonte de produção para a distribuição do consumo”, disse Marçal, ressaltando a necessidade de implantação da lei orgânica de segurança alimentar pelos Estados brasileiros.
O presidente da Empasa, Rubens Tadeu da Nóbrega, disse que a Empasa vem desenvolvendo uma política de esclarecimento junto aos permissionários para baixar o desperdício de alimentos. “Conseguimos baixar o desperdício de alimentos nos mercados em torno de 3% a 5%”, frisou, mencionando os projetos de aproveitamento de alimento para distribuir com a população carente.
Segundo ele, o desperdício não se resume aos produtos hortifrutigranjeiros, mas também em produtos como milho, feijão, soja, produtos que sofrem desperdício de 10% a 12%. “Isso alimentaria quase todas as famílias carentes do Brasil. Precisa-se melhorar tecnologia, precisa de educação e uma melhor política de armazenamento do país e do Estado”, disse Rubens.
O secretário executivo José Inácio disse que o desperdício se origina desde o campo, na fase de plantio e colheita. “Os custos de produção são altos e nós ainda desperdiçamos na colheita”, disse, colocando a necessidade de realizar um trabalho de capacitação e treinamento dos produtores. Esses problemas serão debatidos durante o evento e já há políticas de combate ao desperdício em andamento pelo Governo do Estado.
Por: ALINE LINS
ULTIMAS NOTÍCIAS




Nenhum comentário: