
Após muito planejamento e quase três anos de casamento, Marcone de Oliveira e Andréia Rainer decidiram ter o primeiro filho, que hoje está com 13 anos de idade. Com o tempo, as limitações financeiras impediram que o casal ampliasse a família e depois de 15 anos de casados, eles planejam o segundo herdeiro para o próximo ano. “Mas ainda não é certeza. Vai depender de vários aspectos, entre eles o tempo que teremos para dedicar à criança e se teremos recursos para oferecer um bom padrão de vida a ela”, ressalta. O exemplo do casal de paraibanos confirma a tendência nacional das famílias em terem menos filhos a cada ano, conforme revelado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento revelou que a taxa média de fecundidade na Paraíba corresponde a 2,18 filhos por casal contra 3,72 filhos em 1991, o equivale a uma redução de 41,3%. Ou seja, as mulheres do Estado deixaram de ter 1,54 filho nos últimos 16 anos. Já em 1999, as mulheres paraibanas tinham uma média de 2,5 filhos. A expectativa do órgão é de que, em 2030, os números caiam para apenas um filho para cada casal, o que vai ocasionar uma diminuição populacional.
O Pnad 2007 mostra que a taxa de fecundidade total dos brasileiros continua em processo de declínio e a Paraíba não foge à regra. Segundo o estudo “Tendências Demográficas mostradas pela Pnad 2007”, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), divulgado ontem, a queda na quantidade de nascimentos no país teve início na segunda metade dos anos 1960 e implica uma desaceleração do ritmo de crescimento da população, gerando uma desestruturação na faixa etária dos brasileiros. Segundo o IBGE, a Paraíba é o terceiro Estado com o maior número de idosos do Brasil.
De acordo com a ginecologista da ONG Bemfam, Giane Camilo Sarmento, as mulheres estão focadas no crescimento profissional e deixam a maternidade para cada vez mais tarde. Na opinião da especialista, da mesma forma que as futuras mães se programam melhor para esta etapa da vida, a tendência da gestação tardia influencia na quantidade de filhos pretendidos. “As pessoas dão ênfase a outros aspectos e atrasam a fecundidade. Isso pode trazer prejuízos para a saúde, já que após os 35 anos a fertilidade diminui e o risco de desenvolver patologias como diabetes e hipertensão arterial no período de gestação aumenta. Esse é um dos motivos pelos quais as mulheres optam por ter menos filhos”, acredita.
A coordenadora da área de temática de Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde de João Pessoa, Ana de Lourdes Alexandria, as ações educativas como orientação de planejamento familiar e uso de métodos contraceptivos são as principais causas da redução na quantidade de filhos das mulheres pessoenses. “O acesso da população a informações sobre saúde, que foi ampliado com as Estratégias de Saúde da Família (antigos PSFs), contribui para um melhor planejamento das famílias antes de terem filhos”, disse.
Dados do IBGE mostram que em 1992 os casais brasileiros tinham em média 2,8 filhos, enquanto que em 2007 passaram a ter 1,83 filho, ou seja, em 15 anos, houve uma redução de um filho por casal. Conforme mostrado pelo Ipea em 2030, a população do país vai começar a diminuir, resultando no aumento de idosos.
Baseado nos resultados da fecundidade divulgados pela Pnad 2007, o Instituto de Pesquisas Aplicadas estima que a população brasileira atinja a quantidade máxima em 2030, com um contingente de aproximadamente 204,3 milhões de pessoas. A expectativa para 2035, ou seja, cinco anos após o início do declínio da taxa de fecundidade, a população esteja em 200,1 milhões de brasileiros. Essa diminuição é causada pela redução da mortalidade e da fecundidade.
O estudo do Ipea comparou ainda os registros de envelhecimento populacional. Em 1992, os brasileiros com idade inferior aos 15 anos representavam 33,8% de todos os brasileiros, e em 2007 esse público passou para 25,2% da população total do país, enquanto que os idosos que respondiam por 7,9% dos brasileiros em 1992, apresentou um crescimento de 2,7%, com o índice de 10,6%. A população em idade ativa também aumentou a sua participação, tendo passado de 58,3% para 64,2%.
A análise do Ipea informa que o envelhecimento populacional resulta da manutenção por um período de tempo razoavelmente longo de taxas de crescimento da população idosa superiores às da população mais jovem. Além do envelhecimento da população total, a proporção da população mais idosa (80 anos acima), está aumentando também, alterando a composição etária dentro do próprio grupo, ou seja, a população idosa também envelheceu, passando de 1,0% para 1,4%, o que equivale a 1,6 milhão de pessoas nessa faixa etária. O estudo “Tendências Demográficas mostradas pela Pnad 2007” explica que o aumento na quantidade de idosos aumentará a demanda por cuidados de longa duração e pagamento de benefícios previdenciários e assistências por mais tempo.
Por: JACQUELINE SANTOS
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