Em SAPÉ: Unidades Básicas de Saúde são fiscalizadas pelo Ministério Público
Falta de atendimento médico, medicamentos vencidos e problemas de
acessibilidade. Essas foram algumas das irregularidades encontradas em
unidades básicas de saúde de Sapé, durante fiscalização realizada pela
Promotoria de Justiça e pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias
da Saúde, na última terça-feira (16).
Foram inspecionados seis dos 19 estabelecimentos da Estratégia Saúde da
Família do município cadastrados no Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde (CNES). As fiscalizações foram acompanhadas
por equipes dos Conselhos Regionais de Farmácia, de Medicina, de
Enfermagem e de Odontologia, da Vigilância Sanitária Estadual e
Municipal e do Corpo de Bombeiros. A inspeção foi solicitada pela
promotor de Justiça de Sapé, Juliana Couto Ramos.
Segundo informações da coordenadora do Caop da Saúde, promotora Adriana
Amorim, a UBS Terra Nova foi a que apresentou o estado mais precário. Em
decorrência da falta de condições, o Conselho Regional de Enfermagem
interditou os profissionais, proibindo-os de exercer suas funções no
ambiente. “Prédio alugado, em péssimas condições de conservação. Em que
pese já haver sido objeto de fiscalização, nenhum providência foi tomada
pela gestão para assegurar segurança aos usuários e profissionais. O
consultório dentário é inservível para essa finalidade. A unidade como
todo não climatizada, nem sinalizada. Não há extintor de incêndio,
material de limpeza, copos descartáveis para água. Por outro lado, muito
medicamento vencido”, informou a promotora.
Já a UBS Castro Pinto I fica instalada em um imóvel alugado que não
observa as características da planta-padrão instituída pelo Ministério
da Saúde e necessita de uma pintura e conserto no teto, cheio de
rachaduras no gesso. “O ambiente não possui sinalização adequada e nem é
climatizado. A médica estava presente e a visita foi acompanhada pela
enfermeira Niedja, responsável técnica da unidade”, informou.
Na ocasião, o local estava com grande movimentação, em virtude da
realização da Campanha Nacional de Vacinação. Existe uma sala específica
para vacinas, mas em que pese a existência de uma geladeira, esta não é
utilizada para esse fim, pois não existe material de limpeza para a
higienização do aparelho, nem para nenhum outro setor do
estabelecimento. Foram encontrados medicamentos com prazo de validade
expirado, tendo a vigilância sanitária local sido acionada para proceder
à apreensão e ao descarte devidos.
Não há gabinete odontológico e os pacientes são encaminhados para a
unidade mais próxima a Castro Pinto II, onde também não são atendidos,
pois faltam equipamentos e materiais. O lixo contaminado não é separado
do comum, nem tampouco acondicionado em local adequado e sacos para lixo
contaminado são utilizados para lixo comum, o que acarreta em
desperdício. “Há riscos de infecção cruzada. A esterilização não tem
sala própria, estando sendo realizada no consultório da enfermeira.
Falta material para retirada de pontos. Uma simples tesoura foi
encaminhada para ser amolada e não retornou à unidade há meses. Não há
extintor de incêndio”, disse Adriana Amorim.
Já na unidade básica de saúde Rua Nova I não havia médico atendendo.
Foram constatados problemas com acessibilidade e climatização
deficiente. No consultório dentário, onde os móveis estavam
enferrujados, foi constatado uso de material inadequado para
esterilização de equipamentos odontológicos. O autoclave estava quebrado
e faltava papel toalha. Ampolas de anestésico estavam como prazo de
validade expirado. A sala de curativo, que deveria ser específica,
divide o espaço com a esterilização, a nebulização e ainda abriga dois
recipientes de lixo hospitalar. A caixa de descarte de material
perfurocortante estava no chão e faltava papel toalha. Como nas outras,
falta material de limpeza e extintores de incêndio.
Na UBS Rua Nova II, também não havia atendimento médico. A sinalização é
precária, faltam dispensadores de sabonete líquido e de papel toalha.
Foram encontradas Caixa para perfurocortantes em material inadequado.
Não realizam o teste biológico do autoclave. Não há material de limpeza
para higienização da unidade e inexistem extintores de incêndio.
“A situação em Sapé é absurda. O novo gestor deve tomar medidas urgentes
para atender as necessidades da população, que vem sofrendo com a
ausência de uma política de atenção básica, que deve ser desenvolvida
para atender às demandas e necessidades de saúde de maior frequência e
relevância dentro do território, observando critérios de risco,
vulnerabilidade, resiliência e o imperativo ético de que toda demanda,
necessidade de saúde ou sofrimento devem ser acolhidos, conforme exposto
na Portaria 2.488/2011”, concluiu a coordenadora do Caop.
Da Redação do Mari Fuxico
Com MP/PB





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