Índios lutam contra avanço da violência nas aldeias da Paraíba
No
Dia do Índio, as aldeias paraibanas comemoram algumas conquistas, como o
resgate do ensino Tupi (a língua nativa), o acesso às novas tecnologias
e a chegada de alguns dos seus filhos nas universidades públicas.
Porém, os problemas se acumulam. Indígenas paraibanos ainda sofrem com
falta de água, saúde e educação. Hoje, o maior desafio para essas
comunidades, é controlar o avanço da violência e do tráfico de drogas em
seus territórios.A demarcação de terras passou a ser um problema secundário,embora ainda existam algumas áreas em conflitos permanentes pela posse das áreas ocupadas.
Na Paraíba, vivem cerca de 20 mil índios, entre Potiguaras e Tabajaras. Existem 33 aldeias localizadas nos municípios de Rio Tinto, Marcação e Baía da Traição (todos no Litoral Norte).
O geógrafo Milton Santos afirma que o território é onde vivem, trabalham, sofrem e sonham todos os brasileiros. Segundo o coordenador técnico da Funai em João Pessoa, Benedito Rangel Moraes, a garantia da terra é o que garante também a sobrevivência dos povos indígenas.
Na Paraíba existem três terras demarcadas. São elas: Potiguara, Jacaré de São Domingos e Potiguara de Monte-Mór. Embora existam terras demarcadas, ainda há muitos conflitos no Estado. A aldeia Taepe, situada no município de Rio Tinto, próxima à aldeia Cumaru e ao Rio Camaratuba, é um exemplo. Ela se encontra fora da área demarcada da terra indígena potiguara de Baía da Traição. Segundo os nativos, a exclusão da área se deu pela pressão de proprietários rurais e usineiros (a aldeia encontra-se a poucos quilômetros de uma destilaria) que se apossaram da terra na década de 70. Os potiguaras agora reivindicam a inclusão da área total (cerca de 13 mil hectares) na terra indígena de Baía da Traição ou a criação ali de uma nova reserva.
Conflitos nas demarcações de terra e uma política de proteção aos territórios indígenas são temas recorrentes em todo o país. O Projeto de Emenda Constitucional 215/2000, que tenta transferir do Poder Executivo para o Legislativo a tarefa de demarcar terras indígenas pode levar o fim de novas demarcações.
O desafio indígena atual na Paraíba é controlar o avanço da violência e do tráfico de drogas. Benedito Rangel mostrou sua preocupação com relação a estes problemas. “As drogas já chegaram à realidade indígena. Precisamos buscar medidas e intensificar o combate ao avanço do crack, maconha e cocaína. O tráfico de drogas tem que ser coíbido rapidamente”, observou.
Como a maioria das terras indígenas está localizada dentro das cidades, Benedito informou que não tem como garantir a tranquilidade dos seus habitantes. “Os aldeamentos são localizados nas cidades. Todo mundo entra e sai das terras e ninguém sabe quem é. Para manter a tranquilidade temos que aumentar a fiscalização e política de conscientização", reconheceu o representante da Funai na Capital.
De acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai), não existem dados sobre a situação de consumo de drogas por índios no Brasil. Também segundo a Sesai, em 2011, as ações foram reforçadas em todo o país, com a contratação de cerca de 40 psicólogos para atuação na saúde mental.
Ações são realizadas a partir de uma adequação às especificidades culturais das etnias, com a participação das comunidades, buscando articulação com a educação, esporte e assistência social. Já os pacientes indígenas que precisam de atenção especializada são encaminhados aos equipamentos de saúde mental municipais ou estaduais.
portalcorreio




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