Fifa veta investidores na compra de atletas e força mudança em clubes do Brasil
A Fifa decidiu acabar com a atuação de grupos de
investidores na contratação e repasse de jogadores a clubes de futebol. A
medida foi anunciada nesta sexta-feira em Zurique pelo presidente da
entidade, Joseph Blatter, após reunião do comitê executivo da Fifa.
A decisão interfere diretamente na rotina dos clubes brasileiros,
cada vez mais dependentes de grupos de investimento. Um exemplo é Paulo
Henrique Ganso, do São Paulo, contratado ao Santos em 2012. O meia tem
32% dos direitos econômicos ligados à DIS, empresa que compra e repassa
jogadores a clubes de futebol de olho nos altos valores pagos
posteriormente por clubes europeus. Neymar também tinha parte de seus
direitos atrelado ao grupo quando jogou no Santos, e somente graças a
esse investimento o clube conseguiu mantê-lo por quatro temporadas.
Veja alguns jogadores contratados com ajuda de grupos de investimento:

Leandro Damião foi levado ao Santos pela Doyen Sports. Foto: Ivan Storti/Divulgação Santos FC
A Fifa programou um período de transição de seis a oito janelas de
transferências para que a medida seja implantada em 100%. A ideia da
entidade é que apenas os dois clubes envolvidos numa transação façam
parte do negócio, sem a intermediação de uma terceira parte, no caso, os
grupos de investimento.
No Brasil, grupos como a Traffic e a DIS terão suas atividades
bastante comprometidas a partir de agora. Os clubes, muitas vezes reféns
desses grupos, também terão de rever a forma de contratar jogadores.
Muitos elencos de clubes brasileiros têm seus jogadores "fatiados" entre
diversos investidores. Quando esses jogadores são negociados, cada um
desses investidores recebe uma parte do valor pago pelo clube comprador.
A realidade a partir de agora será outra, promete a Fifa.
Outro exemplo recente que não deve ser repetido envolve o
Corinthians. O clube usou um grupo de investimento para contratar o
zagueiro Cléber, da Ponte Preta, há um ano. O jogador atuou no Parque
São Jorge e foi vendido ao Hamburgo, em agosto passado, sem render nada
ao clube. Seus investidores receberam mais de R$ 9 milhões do clube
alemão.
A Uefa pressionava a Fifa para que essa decisão fosse tomada e,
apesar do pedido da CBF e de outras federações sul-americanas contra a
medida, ela acabou sendo acatada por Blatter. Portugal é outro país onde
esse tipo de negociação é bastante comum.
IG





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