
A jornalista Lídia Moura, presidente estadual do PMN, distribuiu nesta quinta-feira (9) artigo de sua autoria no qual revela que é ligada ao Governo do Estado a entidade patrocinadora das intervenções televisivas do arcebispo Dom Aldo Pagotto na campanha de Campina Grande.
Segundo Lídia, a ong promotora das aparições de Dom Aldo na tevê, o Cedafisc (Centro de Desenvolvimento da Atividade Física, Saúde e Cidadania), é a mesma "que organiza a Corrida de Jegues e tem entre seus diretores Teles Albuquerque, que foi candidato a vereador nestas eleições" por um partido aliado ao candidato Rômulo Gouveia (PSDB).
Leia o artigo de Lídia Moura, a seguir.
Chama o síndico: Tim Maia! Tim Maia!
"tira essa escada daí,
essa escada é pra ficar aqui fora
eu vou chamar o síndico
TIM maia! tim maia! tim maia! tim maia! alô, alô, w/Brasil, alô, alô, w/Brasil"
Perplexa, leio em um site de notícias, a ata do condomínio onde mora o prefeito de Campina Grande. Nem quero discutir aqui se os episódios narrados na tal ata são falsos ou verdadeiros. Mas, daí a serem divulgados e, o pior, encontrar espaços de publicação na mídia, é chocante. O maravilhoso Jorge Ben Jor iria se deliciar e talvez chamar Tim Maia, o síndico.
Mas, essa coisa que alguns podem insistir em chamar de notícia remete o jornalismo ao pior dos mundos. Em tempos de segundo turno vale tudo. Claro, se a informação for negativa. Vale até "noticiar" desentendimentos de condôminos. Desentendimentos que, aliás, o público fica sem saber mesmo se ocorreram ou não. Por que o jornalismo proposto não deu uma linha de espaço para a outra parte, que é a esposa do prefeito, citada na "notícia" à exaustão. Procurei aquele cantinho onde se diz: A Sra. negou tudo ou confirmou, mas... Nada!
Bem, o leitor pode esperar muito mais. Afinal, Campina Grande foi a única cidade do país onde o horário eleitoral se estendeu até o dia da eleição. Um Bispo em tom leitura de sentença invoca a Morte para amedrontar eleitores. O mesmo Bispo que condenou a participação política de religiosos. Usou para tal a CNBB, ordem religiosa ou a Diocese? Não, é claro, ele não é bobo. Espertamente usou uma entidade de abrangência acima do normal. Cedafisc (Centro de Desenvolvimento da Atividade Física, Saúde e Cidadania). Quem pagou essa mídia em horário nobre? Terá sido gratuito? Naquela quantidade de inserções, tendo esta generosidade da TV ocorrido, foi mesmo um milagre.
Curiosa, pesquisei. Descobrir que a entidade através da qual fala o Bispo, é a mesma que organiza a maravilhosa Corrida de jegues. Fala sobre evento o professor Teles Albuquerque: "O objetivo é mostrar a importância desse animal como meio de transporte, que durante milhares de anos foi o nosso primeiro meio de transporte e, hoje, se encontra excluído", explica o dirigente da Cedafisc, entidade que tem em sua lista de parceiros o Governo do Estado. Embora se intitule ONG usa o .com e não o .org. Confira! (www.cedafisc.com.br).
Alguns promotores, também em horário nobre, com muitas inserções, mandam o seu recado e focam no mesmo tema exaustivamente abordado por um dos candidatos no horário eleitoral. Coincidência? Pode ser. Não sei se olhei direito, mas pensei ter visto a assinatura do irmão de um secretário do governo estadual que, por coincidência, integra a campanha de um dos candidatos. Não seria motivo para este promotor, ele próprio, se considerar impedido? Ah! Campina, como explicar a quem te olha de longe que, mesma assim, és Grande.
E o que dizer de ruas misteriosamente interditadas sem nenhum motivo aparente. Quem desceria do carro para verificar as razões de tantas interdições, se eram feitas por representantes das autoridades? Todos, demos a meia volta e fomos por outros caminhos. Enquanto isso, a pé, dizem os que viram, presentes eram entregues aos mais carentes. Por onde andávamos nós jornalistas que não noticiamos essa prática? Ou será que atas de condomínios são mesmo mais relevantes?
As paixões são tantas que só mesmo em Campina para durante uma entrevista coletiva o público presente vaiar e tentar cercear o direito sagrado dos jornalistas fazerem seus questionamentos, antipáticos ou não. Eita Campina!
Sei não, mas é perigoso quando as instituições se misturam tanto assim. Quem poderá saber daqui pra frente se o que o Bispo fala vale ou é apenas parte de uma peça publicitária de campanha política. E o que esperar da promotoria que se arvora em interpretar para o eleitor as falas e teses, exatas ou inexatas, de candidatos.
E a ONG que organiza a impagável corrida de jegue e as trilhas ecológicas precisa pagar parcerias?
Diante desse quadro aterrador, chama o síndico. Não estando o genial Tim Maia mais entre nós, melhor chamar o povo.
Da Redação do portal correio
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