Em jogo da vergonha nas arquibancadas, Atlético-PR goleia, vai à Libertadores, e Vasco cai outra vez após cinco anos
Tensos, torcedores do Atlético brigavam entre si, enquanto parte deixava a Arena...

Gazeta Press
Torcedor do Furacão desacordado após briga
As
cenas vergonhosas das brigas nas arquibancadas da Arena Joinville,
neste domingo, ficarão marcadas. A pancadaria entre os torcedores de
Atlético-PR e Vasco, quando a bola já rolava para a última partida do
Campeonato Brasileiro, produziu quatro feridos, muito choro e tensão.
Ainda
assim, a partida foi reiniciada, e o Furacão mostrou sua força: goleou
por impiedosos 5 a 1, confirmou a vaga na próxima Libertadores e
rebaixou o Vasco pela segunda vez em cinco anos.
Logo aos 4
minutos, Paulo Baier, de falta, abriu o placar. Cerca de dez minutos
depois, a briga nas arquibancadas começou, e o duelo foi paralisado por
quase uma hora.
Assim que a bola voltou a rolar, o Vasco empatou
com Edmilson, aos 40, e deu esperanças aos seus seguidores. Enquanto
isso, o Fluminense ganhava do Bahia por 2 a 1, mas a vitória do Coritiba
sobre o São Paulo por 1 a 0 decretou a queda do campeão brasileiro de
2012. Já o Criciúma caiu para o Botafogo por 3 a 0 no Maracanã, e ao
time cruzmaltino bastava vencer para se livrar da Série B.
No
entanto, o Atlético-PR anotou o segundo aos 43 da etapa inicial com
Éderson, e o Vasco agonizava. Para a segunda etapa, os paranaenses
voltaram com tudo e implodiram todas as chances de permanência do clube
de São Januário: Marcelo marcou o terceiro, e Ederson anotou mais dois
para chegar ao hat-trick e garantiu a artilharia do Brasileirão com 21
gols.
Em 2014, Libertadores para o Furacão de Vágner Mancini. Série B para o Vasco.
Gol e selvageria
Precisando
fazer sua parte, a equipe alvinegra não se intimidou e começou no
ataque. Aos dois minutos, após cobrança de escanteio, Manoel se
antecipou a Cris e evitou a cabeçada do zagueiro. Mas, em seu primeiro
ataque mais contundente, o Rubro-Negro abriu o placar. Paulo Baier
levantou em cobrança de falta, Manoel desviou e a bola morreu no fundo
das redes. Atrás no placar, os cariocas tentavam se recompor em campo.
Tecnicamente
o jogo era fraco, com muitos erros de passe. Aos 14 minutos, Baier
tentou repetir a dose, desta vez levantando para Luiz Alberto, mas a
defesa estava atenta. Nas arquibancadas os torcedores das duas equipes
se digladiavam em cenas lamentáveis. O árbitro paralisou a partida, com
torcedores entrando em campo para escapar da confusão.
Após uma demora inaceitável, a polícia interveio com bombas e balas de borracha.
Desesperados,
jogadores dos dois times tentavam socorrer torcedores, alguns
ensanguentados e desacordados, e pedir calma para os que entraram em
campo e aos que permaneciam sem saber o que fazer nas arquibancadas. O
zagueiro Luiz Alberto, chorando, afirmou ter presenciado cenas de
espancamento. "A gente estava tentando tirar os torcedores, vendo um
rapaz deitado, tomando chute, levando golpe de madeira. É um ser humano.
A gente pedia para eles pararem e eles não nos escutavam", contou.
Enquanto
a torcida do Vasco gritava por vergonha, a Polícia Militar se isentava
de responsabilidade, sem se entender com a segurança privada na busca
por explicações, e jogadores se mostravam chocados, alguns chorosos, o
técnico Vagner Mancini relatava que não havia clima. "Não sou eu que
mando. A vontade e de sair e ir para casa. Se mandarem jogar, temos que
jogar somos funcionários. É lamentável. Já estamos jogando aqui porque
houve briga diante do Goiás", disse.
A diretoria do Vasco, atrás
do vice-presidente Antônio Peralta, tentou pressionar a arbitragem para
decretar adiamento da partida, mas terminou batendo boca com o diretor
de futebol atleticano, Antônio Lopes. O presidente do Vasco, Roberto
Dinamite contou que antes do jogo protestou contra a presença de
seguranças particulares como responsáveis pela segurança. "Não estamos
pensando em rebaixamento, estamos pensando em vidas.
Quando nós
chegamos foi falado que não teria segurança da Polícia Militar. E vocês
viram o que aconteceu. Como vai garantir alguma coisa com isso aí?",
indagou.
GALERIA VEJA IMAGENS DA BRIGA ENTRE TORCEDORES DO ATLÉTICO-PR E DO VASCO
Tensos,
torcedores do Atlético brigavam entre si, enquanto parte deixava a
Arena. Após mais de uma hora de paralisação, a arbitragem, após reunião
com Adílson Moreira, responsável pela Polícia Militar, presidente do
Vasco, Roberto Dinamite e o diretor Antônio Lopes, a decisão foi de
reiniciar a partida. O temor atleticano era o de ser responsabilizado
pela confusão e ter a derrota decretada pelo STJD.
Sem clima, a bola rolou
"É
uma temeridade. Não há policiamento para seguram nem um lado nem o
outro. Mas, não posso tirar meu jogador de campo, senão sou punido. Teve
uma morte e dois em coma, posso confirmar porque quem atendeu no
helicóptero era médico do Vasco", alardeou o presidente Dinamite
(informação que não viria a se confirmar). Porém, a bola rolou. O Vasco
tinha maior posse de bola, mas o ritmo, que já não era dos melhores,
caiu ainda mais. Aos 25 minutos, Fagner lançou em profundidade e
Weverton deixou a meta para defender.
Em seu primeiro ataque após a
confusão, Paulo Baier serviu Ederson, que bateu cruzado para boa defesa
de Alessandro. Na resposta, aos 31 minutos, o goleiro rubro-negro deu
rebote e Renato Silva testou para fora. Na cara do gol, o artilheiro
Ederson chutou e parou em Alessandro. Mas aos 40 minutos, Yotún foi à
linha de fundo, cruzou e Weverton espalmou, mas sobre Edmilson que, no
susto, decretou o empate. A comemoração durou pouco. Aos 44 minutos,
Ederson desviou e aproveitou falha de Alessandro para fazer o segundo.
Para
a segunda etapa, o Vasco retornou com Bernardo no lugar de Wendel. Aos
dois minutos, Cris cruzou fechado, e Manoel afastou o perigo de cabeça. O
troco veio com Marcelo, que aos cinco minutos invadiu a área e parou o
goleiro Alessandro. O segundo tempo era marcado por muita marcação e
poucas oportunidades de gol. Aos 14 minutos, Marlone soltou a bomba e
Weverton espalmou para salvar.
O Rubro-Negro voltou a aparecer aos
17 minutos, com Luiz Alberto, que desviou passe de Paulo Baier de
calcanhar, mas errou o alvo. Mas, aos 18 minutos, Marcelo recebeu de
Ederson, dominou e com muita categoria chutou para marcar o terceiro e
dar tranquilidade para administrar. Aos 30 minutos, Alessandro deu
rebote em chute de Ederson e Everton arrematou em cima da defesa.
O
Atlético administrava bem o resultado e a torcida ovacionava cada
jogador substituído. Aos 33 minutos, Ederson tentou o voleio e
Alessandro salvou. No rebote, Ederson fuzilou e o goleiro defendeu. Mas,
aos 36 minutos não teve jeito. Felipe cruzou, ninguém afastou e Ederson
apareceu para fazer o 20º gol na artilharia. Aos 40 minutos, Éderson
fechou a goleada, sem brilho, de um jogo marcado pela tragédia. O
Atlético Paranaense está na Libertadores da América 2014. O Vasco da
Gama está de volta à Série B.
FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO-PR 5 X 1 VASCO
Local: Arena Joinville, em Joinville (SC)
Data: 8 de dezembro de 2013, domingo
Horário: 17 horas (de Brasília)
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG)
Assistentes: Marcio Eustaquio Santiago (Fifa-MG) e Guilherme Dias Camilo (Fifa-MG)
Cartão amarelo: Pedro Ken (Vasco)
Gols: ATLÉTICO-PR:
Manoel, aos quatro, e Ederson, aos 44 minutos do primeiro tempo;
Marcelo, aos 18, e Ederson, aos 36 e aos 40 minutos do segundo
tempo; VASCO: Edmílson, aos 40 minutos do primeiro tempo
ATLÉTICO-PR:
Weverton; Léo, Manoel, Luiz Alberto e Maranhão (Juninho); Deivid, João
Paulo, Paulo Baier (Zezinho) e Everton; Marcelo (Felipe) e
Ederson. Técnico: Vagner Mancini
VASCO: Alessandro, Fagner, Renato
Silva, Cris e Yotún; Abuda, Wendel (Bernardo), Pedro Ken e Marlone
(Tenorio); Thalles (Reginaldo) e Edmílson. Técnico: Adílson Batista
Msnesportes




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