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Escritor lança HQ Augusto dos Anjos em Quadrinhos, celebrando 130 anos do nascimento e centenário de morte do poeta.
terça-feira, 1 de julho de 2014 Posted by Silvano Silva ✔

Augusto sem fantasmas



Público-alvo da HQ são leitores em formação, crianças entre seis e dez anos de idade, segundo Jairo
A infância do escritor Jairo Cézar foi assombrada por um fantasma que puxava as crianças para dentro de um cacimbão desativado. O nome do fantasma? Augusto dos Anjos. “Minha família é toda da Usina Santa Helena, no Engenho Pau D'Arco, e minha mãe não lê Augusto até hoje por causa disso.”
Foi para subverter toda uma mística obscura em torno do poeta que, em parceria com a ilustradora Luyse Costa, Jairo idealizou a HQ Augusto dos Anjos em Quadrinhos. A obra, editada pela Patmos (do publicitário Carlos Alberto de Oliveira, ex-Forma Editorial) tem lançamento agendado para este mês em João Pessoa e em Sapé.
Em 30 páginas ilustradas com uma versão para as livrarias e outra voltada para as escolas, a HQ sai em um ano de dupla celebração: os 130 anos do nascimento e centenário de morte de Augusto dos Anjos (1884-1914). O público-alvo são leitores em formação, crianças entre seis e dez anos de idade que, segundo o roteirista do álbum, são afastadas do paraibano do século pelos estereótipos construídos a partir de sua poesia.
“Augusto não era essa figura mórbida e obscura que pregam”, defende Jairo, que foi o primeiro diretor do Memorial Augusto dos Anjos, entre 2006 e 2009. "Na infância, ele era uma criança normal, que gostava de pescar e de brincar. Na idade adulta, era amável e doce, admirado pelos seus alunos e pelos funcionários com quem trabalhava."
O roteiro de Augusto em Quadrinhos se detém justamente por este período da infância à idade adulta, tocando inclusive em pontos espinhosos da biografia controversa do autor do Eu (1912), como o suposto ódio que nutria pela terra natal (o que ocasionara sua mudança para Leopoldina, em Minas Gerais, onde até hoje estão os seus restos).
"Ele manifestou o desejo de voltar à Paraíba no leito de morte. As pessoas que acreditam neste ódio se apegam a um documento lavrado em 1977 pela família, que impede que os restos morais voltem para cá. Desde a morte de Augusto dos Anjos, Sapé e Leopoldina são cidades irmãs: a terra em que ele nasceu e a que cuidou de sua memória. Eu acho essa disputa toda uma bobagem."
A escolha da linguagem dos quadrinhos para tratar de uma história tão cheia de controvérsias não foi à toa. Vem da própria influência que a nona arte teve na formação de Jairo e Luyse, além de uma leitura atenta de indicadores que comprovam o papel das HQs como porta de entrada para o universo dos livros. "As últimas pesquisas mostram que quase metade dos leitores infantis dizem que os quadrinhos são sua leitura preferida", relata Jairo. "Eu mesmo fui um leitor dos quadrinhos que meu pai comprava para mim quando eu era criança."
O nome da ilustradora Luyse Costa (Anayde Beiriz - Uma Bio

grafia em Quadrinhos) foi a única exigência feita quando o projeto foi apresentado à editora. "Eu já escrevia pensando no traço de Luyse e em nenhum momento cogitei outro ilustrador. Ela tem o traço fino e delicado que eu queria para o meu Augusto", diz Jairo, apropriando-se afetivamente do personagem que às vezes ele chama de 'Augustinho', o 'menino bem magrinho, com olhos fundos, orelhas redondas e o cabelo preto bem lisinho' que aparece nas primeiras imagens divulgadas pela dupla (confira algumas nesta página).
Toda a arte foi feita em São Paulo, onde Luyse trabalha profissionalmente como ilustradora. "Foi uma coisa totalmente nova para mim", conta Jairo Cézar, que se comunica com a parceira por telefone, e-mail e Facebook. "Senti muita falta de sentar em uma mesa e tomar café com ela".
A oportunidade virá este mês: Luyse tem viagem marcada para João Pessoa no próximo dia 12 e fica na Paraíba até o dia 22. Os dois estão tentando agendar o lançamento da HQ para este intervalo.



 Com Tiago Germano?/jpb

Silvano Silva ✔

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