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Mais de 120 mil famílias da PB não têm moradia
sexta-feira, 10 de outubro de 2014 Posted by Silvano Silva ✔

Atualmente, pelo menos 150 mil pessoas ainda estão inscritas junto Cehap aguardando serem contempladas com o direito a benefícios de habitação popular.
Francisco França Francisco França
Conforme a diretora presidente da Cehap, Emília Correia, as 150 mil pessoas inscritas não correspondem ao déficit real vivenciado hoje pela Paraíba
A Paraíba possui um déficit habitacional de 120.741 moradias, segundo dados do Ministério das Cidades. O número tem como base o Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e demonstra uma realidade que não modificou muito, mesmo com o passar dos anos. Atualmente, pelo menos 150 mil pessoas ainda estão inscritas junto à Companhia Estadual de Habitação Popular da Paraíba (Cehap) aguardando serem contempladas com o direito a benefícios de habitação popular.
De acordo com a diretora presidente da Companhia, Emília Correia, nos últimos três anos, período em que assumiu a gestão do órgão, 8,5 mil moradias foram entregues em todo o Estado. Além dessas moradias, a expectativa é que, até o fim deste ano, outras 4.953 sejam finalizadas e também entregues. “Arredondando os números, em dezembro deste ano teremos entregado quase 15 mil casas na Paraíba. Além destas, também temos outras 9.253 obras em andamento”, comentou.
Além das obras em andamento e daquelas que têm previsão de entrega até dezembro deste ano, pelo menos outros 10.1514 projetos de habitação popular estão prontos aguardando apenas a liberação da verba e posterior contratação das empresas para iniciarem.
Na expectativa de que seu nome esteja entre esses números está Angélica Barbosa, de 33 anos. Ela está desempregada e hoje mora, junto com o marido e dois filhos, em uma ocupação que fica no antigo Hotel Tropicana, na capital, conhecida como 'Tijolinho Vermelho'. Lá, segundo ela, o espaço é dividido com outras 270 famílias, todas inscritas na Cehap aguardando serem contempladas.
“Eu morava de aluguel, até que começou a não dar mais. Eu tive que decidir: ou eu tinha um teto ou comida para comer. Decidi vir para cá e, pelo menos, ter dinheiro para comprar uma feira. Não foi uma decisão fácil, mas eu tive que decidir, pela vida dos meus filhos”, disse.
Segundo Angélica, que, para sobreviver, muitas vezes chega a trabalhar vendendo água no fim de semana, quando o dinheiro dá para comprar, há mais de 11 anos ela é inscrita nos programas de habitação, mas, até hoje, ainda não foi contemplada. “Quando eu me inscrevi pela primeira vez um filho meu era recém-nascido e agora ele tem 11 anos. É muito tempo esperando. Dessas famílias que eu conheço que também se cadastraram, só três foram contempladas”, disse.
Na mesma situação que Angélica está Maria de Jesus Marques, 32 anos. Há três meses ela mora em uma ocupação situada no bairro Treze de Maio, em João Pessoa, chamada 'Capadócia II'. Lá, ela montou um barraco na expectativa de também ser contemplada com projetos habitacionais, o que ela espera há, pelo menos, cinco anos. “Eu tinha feito um cadastro em 2009 e depois disseram que não valia mais. Aí eu nem me cadastrei mais. Agora soube que o povo ia ocupar aqui e vim também, na esperança de ter minha casinha”, comentou. Ela mora junto com a filha, o genro e uma neta de apenas três meses. Segundo Maria de Jesus, ir morar na ocupação foi a única alternativa, porque pagar um aluguel de R$ 400 começou a se tornar inviável. “Lá em casa a gente só tem a renda do meu genro, e ele recebe um salário”, relatou.
Maria de Jesus está fora das estatísticas da Cehap, por não ter feito cadastro junto ao órgão, mas, ainda assim, faz parte da parcela de paraibanos que não têm uma casa para morar. Para ela, a esperança é que, após a ocupação de um terreno junto com outras 88 famílias, ela possa ser contemplada. “Vieram aqui e disseram que a gente vai poder ser contemplado com uma casa. Começaram a pegar os nomes para cadastrar a gente. Eu mesma tenho esperanças”, afirmou.
Conforme a diretora presidente da Cehap, Emília Correia, as 150 mil pessoas inscritas não correspondem ao déficit real vivenciado hoje pela Paraíba. “Muitas pessoas se inscrevem sem nem ter acesso ao direito. Quando vamos avaliar a situação daquelas pessoas, vemos que elas não podem ser contempladas, seja pela renda ou por algum outro motivo”, alegou.
Ainda assim, Emília reconheceu que o déficit de moradias da Paraíba é alto e justificou que isso foi devido a um período de 15 anos em que o país ficou sem políticas habitacionais. De acordo com ela, além das habitações entregues, outros projetos são desenvolvidos pelo órgão que não têm contrapartida do governo federal, a exemplo de condomínios residenciais para idosos. Em João Pessoa, um já foi entregue e a perspectiva é de que outro seja finalizado até o fim do ano. “Ainda temos outro em Cajazeiras. Além disso, estamos tentando parcerias com prefeituras”, disse.
 
Com o Jornal da Paraiba

Silvano Silva ✔

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