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Pivô de gravações, delator Machado teve atuação parlamentar discreta
domingo, 29 de maio de 2016 Posted by Silvano Silva ✔


Pivô de um dos maiores escândalos recentes de Brasília, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, exerceu mandatos de deputado federal e senador pelo Ceará na década de 1990, antes de comandar o braço logístico da Petrobras por mais de 13 anos.
De poucos discursos na tribuna, Machado agia mais nos bastidores e pouco aparecia. Parlamentares contemporâneos dele no Congresso Nacional ouvidos pelo G1 consideram que tinha um “perfil apagado” e uma atuação “pouco expressiva”.
Empresário, Machado se filiou ao PMDB em 1986 e iniciou sua trajetória política pelas mãos do ex-governador do Ceará Tasso Jereissati (PSDB). Foi coordenador da campanha do tucano e secretário de Governo no primeiro mandato de Jereissati como governador (de 1987 a 1990).
O cargo o projetou para disputar uma vaga na Câmara, onde se elegeu, já pelo PSDB, para a legislatura de 1991 a 1994. No ano seguinte, foi eleito senador.
Com trânsito no PSDB e no PMDB, Sérgio Machado se converteu atualmente no homem cujas gravações são motivo de apreensão para políticos de vários partidos.
Diálogos gravados por ele já derrubaram um dos principais ministros do presidente da República em exercício, Michel Temer (PMDB): o senador Romero Jucá (PMDB).
Também vieram à tona áudios que implicam o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).
Alvo da operação Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República em que detalha a sua participação no esquema de corrupção da Petrobras. O conteúdo dos seus depoimentos, porém, ainda está sob sigilo.
Procurado pelo G1, Sérgio Machado informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se manifestar neste momento e tampouco comentaria a sua atuação como parlamentar.
Atuação parlamentar
Nos quatro anos em que foi deputado federal, Machado se manifestou somente oito vezes da tribuna do plenário, algumas delas apenas para fazer apartes, conforme levantamento no sistema da Câmara. Entre as matérias de seu interesse havia, principalmente, temas ligados à economia.
O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que está no sétimo mandato na Câmara, diz nem se lembrar da passagem de Sérgio Machado pela Casa.
“Nem sabia [que foi deputado]. Se esteve por lá, era bem inexpressivo, sem nenhuma expressão. Nunca ouvi falar desse cara. Porque em 1991 eu era líder do PMDB, fui para o PST e no final do mandato fui para o PSDB. Eu era líder do processo de impeachment contra o Collor. Mas esse cara nunca vi, não. Não lembro de nenhum discurso”, afirmou.
No Senado, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), parlamentar na mesma época de Machado, contou que o colega tinha “um perfil apagado” e disse não lembrar de discurso algum de Machado no plenário da Casa.
“Não me lembro de um discurso do Sérgio Machado. Não lembro de nenhuma participação mais ativa. Ele tinha um perfil apagado, não era um senador notável”, afirmou.
Requião disse que, naquela época – fim da década de 1990 e início dos anos 2000 –, Machado “não tinha características de corrupção” e parecia “um bom sujeito”.
Outro senador contemporâneo de Sérgio Machado e que preferiu não ser identificado relatou que ele agia mais na articulação do que na tribuna de discursos.
“Ele atuava mais nos bastidores, era mais articulador. Não era de discursos. Era mais conciliador”, disse.
Registros de pronunciamentos disponíveis no portal do Senado reforçam a lembrança dos parlamentares sobre a baixa frequência com que Machado subia à tribuna.
No período de oito anos entre 1995 a 2002, segundo dados do Senado, Machado fez 93 pronunciamentos na tribuna da Casa, o que resulta em uma média de menos de um discurso por mês. No mesmo período, o ex-senador gaúcho Pedro Simon (PMDB-RS), por exemplo, fez 410 pronunciamentos, quatro vezes mais.
Nas poucas vezes em que subiu à tribuna do Senado, Machado defendeu a instituição da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), em 1996, prestou homenagens a personalidades cearenses e defendeu propostas da reforma política.
Além disso, fez pronunciamento pedindo o apoio de colegas de Senado ao projeto de lei de sua autoria que queria regulamentar a utilização de caminhões “paus-de-arara” como transporte alternativo de pessoas.
Governo do Ceará
Na época em que foi secretário de governo de Tasso Jereissati, segundo políticos do Ceará, Sérgio Machado era conhecido como o “Todo-Poderoso” do governo do tucano.
Em 2002 e já de volta ao PMDB, ele disputou o cargo de governador nas eleições de 2002 e ficou na terceira colocação, com 12,12% dos votos. Não chegou a disputar o segundo turno, quando Lúcio Alcântara (PSDB), teve 50,04% dos votos e venceu, com placar apertado, José Airton (PT), que ficou com os outros 49,96%.
Segundo um integrante da cúpula do PMDB no Senado, Machado não recebeu apoio dentro do partido no Ceará naquelas eleições.
“Ele não foi muito bem tratado na campanha. Dizem que houve um rompimento, mas, na verdade, ele nunca foi próximo”, disse ao G1.
De acordo com o mesmo peemedebista, Sérgio Machado abandonou a política cearense depois de derrotado. “Ele nunca mais foi a encontro de partido ou participou de campanha política”, contou.
Transpetro
Aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Machado assumiu a presidência da Transpetro em 2003, no início do governo Lula, por indicação política do PMDB.
No período em que ficou na subsidiária da Petrobras, colocou em prática o Programa de Modernização e Expansão da Frota, com encomenda de 49 novos navios para transporte de combustíveis, inicialmente orçado em R$ 4,4 bilhões.
O programa previa a obrigatoriedade de construção dos navios no Brasil e fixava uso mínimo de componentes nacionais. Isso o ajudou a reaquecer o setor naval no Brasil, algo que era frequentemente comemorado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente afastada Dilma Rousseff. Entretanto, houve atraso na entrega de navios, que acabaram custando mais caro que o previsto inicialmente.
Após a chegada de Dilma à Presidência da República, a Petrobras passou por mudanças.
Diretores foram substituídos e, na presidência da estatal, Dilma colocou Maria das Graças Foster no lugar de José Sérgio Gabrielli. Machado, entretanto, foi mantido na Transpetro como indicado do PMDB.
Em novembro de 2014, a Transpetro anunciou a licença de Machado da presidência da subsidiária, em princípio, por 31 dias.
A licenção foi motivada pelas denúncias de corrupção na Petrobras e após pressão da empresa PwC (PricewaterhouseCoopers), que exigiu o afastamento do executivo como condição para assinar a auditoria de um balanço da estatal.
Em fevereiro de 2015, Machado pediu demissão do cargo de presidente da Transpetro.
G1

Silvano Silva ✔

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